Anos 1950. Nascimento da televisão, filmes 3D, e o rock´n´roll. Os videogames também foram inventados nos anos 1950; eles apenas eram jogados por pouquíssimas pessoas, em grandes computadores. Os primeiros programadores foram estudantes de laboratórios de computação em grandes universidades, como o MIT, e funcionários de instalações militares no Brookhaven National Laboratories. Os primeiros jogos como OXO (1952), Spacewar! (1962) e Colossal Cave (1976) tinham gráficos muito simples ou não os tinham de maneira alguma. Eles eram exibidos em telinhas em preto e branco de osciloscópio.
Depois de jogar Spacewar! no laboratório de computação da Universidade de Utah, os futuros fundadores da Atari, Ted Dabney e Nolan Bushnell, se inspiraram e criaram o Computer Space, o primeiro videogame arcade, em 1971. Apesar de os primeiros jogos arcade serem encontrados em bares, arcades dedicados aos videogames começaram a aparecer no final dos anos 1970.
Alguns dos primeiros videogames arcade como Asteroids, Battlezone e Star Castle eram apresentados em gráficos vetoriais (imagens construídas a partir de linhas). Depois de que os gráficos raster coloridos (imagens construídas a partir de um gride de pontos chamados pixels) foram introduzidos, apareceram personagens de videogames inspirados em cartum. Personagens como Pac-Man ( Namco, 1980) e Donkey Kong ( Nintendo, 1982) se tornaram ícones da cultura pop, praticamente da noite para o dia.
Durante os anos 1980, três estilos de máquinas de jogos dominaram os arcades: verticais (gabinetes nos quais o jogador fica na frente dele enquanto joga), mesas cocktail (jogos arcade em cima de pequenas mesas, permitindo ao jogador sentar enquanto joga) e cockpits (elaborados gabinetes de jogo que permitem ao jogador montar ou sentar para melhorar ainda mais a experiência de jogo).
No meio dos anos 1980, os arcades começaram a brotar em todo o lugar e os videogames tomaram o mundo de assalto. Os gêneros de jogos e os temas se tornaram mais variados, enquanto os controles e gabinetes se tornaram mais elaborados, com controles realistas e belos gráficos decorando gabinetes de design único. Você podia sentar em uma nave espacial para dois jogadores, um de costas para o outro, enquanto jogavam Tail Gunner (Vectorbeam, 1979), lutar contra Klingons em uma réplica da cadeira de comando do Capitão Kirk no jogo Star Trek (Sega, 1982) ou guiar uma Ferrari Testarossa de verdade, que mexe e balança no jogo Out Run (Sega, 1986). No fim dos anos 1990, muitos jogos arcade começaram a se parecer com minibrinquedos de parques temáticos completos, com cavalos de corrida que podiam ser montados, simuladores virtuais com movimento giroscópico e cabines de luta que permitiam aos jogadores lutar contra inimigos virtuais, usando chutes e socos reais. O mais elaborado desses arcades era o Centro BattleTech do Virtual World; arcades com temática steampunk com “casulos de batalha”, que permitiam que oito jogadores lutassem entre si enquanto caminhavam por aí em “mechs” gigantes virtuais.
Esses jogos arcade elaborados precisavam de muito espaço e eram muito caros para se manter. No fim dos anos 1990, os sistemas domésticos começaram a fazer frente e, finalmente, superaram os gráficos vistos em muitos dos jogos arcades. Os arcades fecharam às dezenas. Os videogames foram trocados por máquinas mais lucrativas como as máquinas de prêmio e por jogos de habilidade como skeebal. Com a liquidação dos arcades, muitos gabinetes terminaram na mão de colecionadores particulares. A era dourada dos arcades de videogame tinha terminado.
Mais recentemente, os arcades se tornaram experiências sociais e virtuais. LAN Houses combinam espaço social e de venda que permitem jogar jogos de computador e de consoles pagando por hora. Muitas fizeram upgrades para apresentar experiências de jogo em grande escala, dentro de empreendimentos do tamanho de um teatro. Os cyber cafés são similares às LAN Houses, mas com ênfase em cultivar um ambiente de cafeteria.
O jogo social também se expandiu em outra direção. Companhias como a Disney e a Sally Corporation começaram a mesclar dark rides com gameplay para criar novas experiências em estilo arcade. Por exemplo, Toy Story Midway Mania na Disney´s California Adventure (2008) movimenta um carrinho de quatro jogadores por uma sucessão de telas de vídeo gigantes, em que jogadores competem em uma variedade de jogos de tiro. Jogadores levam jatos de ar e água para simular diferentes efeitos visuais no jogo. O círculo do jogo arcade moderno e do jogo doméstico se fecha com o lançamento da versão Wii de Toy Story Midway Mania.
Quem sabe? Talvez essas novas atrações se tornem a espinha dorsal de um novo híbrido de parque de diversões/arcade cheio de jogos virtuais e atrações interativas. Um console é uma plataforma de jogo que pode ser usada em casa. Um microprocessador faz funcionar o dispositivo eletrônico, que então envia um sinal de vídeo para a TV ou o monitor do usuário. Ao contrário dos controles dedicados de uma máquina arcade, o controle de um console doméstico tem botões, gatilhos e controles analógicos sufi cientes para permitir que uma variedade de jogos seja jogada. E, diferentemente de placas de circuito dedicadas nos primeiros jogos arcade, que podiam carregar apenas um jogo, os jogos de console usam cartuchos, CD, e DVD para permitir aos jogadores trocar de jogo rapidamente. Do fim dos anos 1970 para a frente, houve muitos consoles domésticos. Alguns dos mais populares e/ou bem conhecidos das gerações passadas incluem o Atari 2600 e Jaguar, o Mattel Intellivision, o Colecovision, o Nintendo Entertainment System e o Super Nintendo, O Sega Genesis9 e o Dreamcast, e o player interativo 3DO. Consoles atuais como o Playstation 3, XBOX 360 e Nintendo Wii continuam trazendo a jogatina aos lares de milhões de gamers ao redor do mundo.
Assim como os jogos arcade, os jogos portáteis têm um display, um processador e um controlador, mas são pequenos o bastante para se ajustar às mãos do jogador. Os primeiros títulos em portáteis eram dedicados a apenas um jogo por unidade. Auto Race (Mattel Electronics, 1976) usava um display digital enquanto a série Game & Watch ( Nintendo, 1980) apresentava uma tela de cristal líquido mais atraente.
Microvision (Milton Bradley, 1979) foi um dos primeiros sistemas portáteis a ter cartuchos intercambiáveis. Os jogos portáteis decolaram quando Tetris se tornou um fenômeno no Gameboy (Nintendo, 1989), precursor do Nintendo DS. Sistemas portáteis recentes se tornaram bastante poderosos. O processador do Sony PSP pode rodar um jogo equivalente ao do Playstation One. Esse é um belo salto desde os blips digitais do Mattel Football!
Jogos portáteis, particularmente em dispositivos móveis, estão se tornando cada vez mais populares. Jogos para telefones celulares são rápidos e mais baratos de produzir. Em poucos anos, o número de desenvolvedores de jogos para dispositivos móveis explodiu. Serão esses dispositivos e jogos portáteis o futuro dos jogos?
Quando os computadores pessoais (ou PCs) se tornaram populares no fim dos anos 1970, tanto a programação de videogames quanto o jogar videogames se tornaram mais comuns. Uma geração inteira de desenvolvedores começou no próprio quarto, programando jogos em seus computadores. Esses primeiros jogos eram armazenados em fitas cassete e discos flexíveis. Enquanto os primeiros videogames tentavam emular os jogos encontrados nos arcades, a adição do teclado permitiu mais canais de entrada para o usuário, dando origem a gêneros únicos, incluindo o adventure de texto. Períodos maiores gastos no computador também significaram simulações e experiências de jogos mais duradouras; Jogos de construção e jogos de gerência e estratégia começaram a se popularizar. Ao mesmo tempo em que o hardware dos computadores, a memória e o armazenamento evoluíram para CD e DVD, os jogos se tornaram mais detalhados, mais envolventes e mais complexos. A origem do first person shooter (ou FPS) pode ser atribuída à popularidade do mouse. Na metade dos anos 1990, o computador era a plataforma de jogos definitiva. Muitos gêneros de jogos, particularmente estratégia, FPSs e massively multiplayer online games (ou MMOs) permanecem muito fortes na plataforma do computador.
* Texto original em: Level UP. Um guia para o design de jogos. *
